Fluxos de informação segundo a sociologia dos emissores

04/05/2015 22:55

Antonio Teixeira de Barros*

 

A informação produz fluxos materiais e simbólicos e estes (re)definem os formatos, suportes e dinâmicas de mediação, produção, emissão e circulação de conteúdos. A análise sistêmica dos circuitos e processos informativos nos permite a identificação de um campo de confluências entre Ciência da Informação e Jornalismo, no atual contexto. As fontes de informação funcionam como estratos condutores de conteúdos manifestos e latentes, o que justifica uma breve reflexão sobre o a papel delas no contexto atual.

As fontes interferem diretamente na estrutura da relação entre o fluxo de informação e o público a quem o conhecimento é dirigido, ou seja, interferindo na transferência de informação do gerador/emissor ao receptor (BARRETO, 1998). Este processo de mediação entre a fonte e o público constitui uma das bases conceituais do campo da Ciência da Informação: a geração de conhecimento e sua inserção social no espaço público. Afinal, o objetivo da ciência da informação é “criar condições para a reunião da informação institucionalizada, sua distribuição adequada para um público que, ao julgar sua relevância, a valorize para uso com o intuito de semear o desenvolvimento do indivíduo no espaço que este habita” (BARRETO, 2009, p. 2).

De forma mais abrangente, percebe-se que existe uma perspectiva de aproximação da ciência da informação com o campo mais amplo das ciências sociais, de modo similar ao que se observa com as teorias da comunicação social. Afinal, trata-se de campos de conhecimento inseridos no âmbito das ciências sociais aplicadas, que estudam os processos de produção, processamento, difusão e os diferentes usos da informação.

Esse feixe de convergência adquire maior espessura em relação à proximidade da Ciência da Informação com o Jornalismo, na perspectiva das fontes e fluxos informativos. Aliás, o estudo sobre os sistemas, fontes e fluxos de informação se reveste de especial importância na sociologia dos emissores, área da teoria da comunicação que estuda o processo de produção da informação jornalística. As fontes, portanto, são preponderantes para a qualidade da informação produzida pelos mass media (WOLF, 1995, p. 199).

As fontes oficiais e institucionais ocupam um lugar central no processo de produção de informações jornalísticas atualmente, pois, correspondem às necessidades organizativas das redações. Isso decorre da regularidade das relações entre jornalistas e representantes de instituições públicas. Pela frequência dos contatos uma relação de confiança se estabelece.

Nessa ordem de ideias, percebe-se, pois, que há uma convergência difusa preexistente entre informação e notícia. Mesmo antes da existência formal do campo da ciência da informação e do campo do jornalismo como áreas de conhecimento, já havia afinidades hermenêuticas entre os elementos que deram origem a esses campos, a partir da noção de racionalização, um dos conceitos basilares da sociologia weberiana. Para Weber (1999), as atividades e as instituições culturais (incluídas aí mesmo que implicitamente as que lidam com informação e notícia) são vistas como resultantes do projeto amplo de racionalização das sociedades ocidentais, contribuindo para a secularização e o “desencantamento” do mundo social.

Na esteira do argumento weberiano da racionalização, é cabível a inserção do conceito de sistemas peritos como decorrentes da modernização (GIDDENS, 1991), o que implica o avanço do conhecimento técnico e tecnológico.  Tal expertise se reveste de capital simbólico, o que se aplica tanto ao jornalismo como à ciência da informação, uma vez que ambos operam sob a lógica dos sistemas peritos. Esses mecanismos são desenvolvidos por atores sociais dotados de elevada especialização. O conhecimento por eles produzido tem aplicação na sociedade e repercussão direta nas relações sociais e práticas culturais. Dessa perspectiva, é que se pode concluir que um sistema de informação pode ser entendido como sistema perito, seja uma biblioteca, um banco de dados ou um jornal. Tal inferência reforça o pressuposto das convergências anteriormente postulado.

 

Referências

 

BARRETO, A. de A. Mudança estrutural no fluxo do conhecimento: a comunicação eletrônica. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, 1998.

GIDDENSAAs consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991.

WEBER, M. Economia e Sociedade. Brasília: UnB, 1999.

WOLF, M. Teorias da comunicação. Lisboa: Presença, 1995.

 

* Docente e pesquisador do Programa de Mestrado em Ciência Política do Centro de Formação da Câmara dos Deputados.