Comunicação Científica: Universo Mágico Descoberto

27/12/2011 08:41

Laerte Pereira da Silva Júnior*

 

Entre 12 e 16 de dezembro de 2011, a professora Pós-Doutora Maria das Graças Targino ministrou a disciplina Comunicação Científica junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba, UFPB. Este é um relato de experiência que sintetiza a descoberta da comunicação científica como universo mágico...

Ao longo da disciplina, os conteúdos foram repassados de forma metafórica. Vimos que ao publicizar suas pesquisas, os acadêmicos adotam estratégias distintas a depender do público. Há uma linguagem mais técnica, em se tratando dos pares, e outra mais acessível, no caso da socialização da ciência. É como a própria vida. Adotamos comportamentos distintos em situações distintas: aulas dedicadas à graduação diferem das de pós-graduação; uma revista informativa adota linguagem mais leve mesmo quando pratica a divulgação científica na linha do jornalismo científico.

E mais, independentemente da seleção do tema, há o risco de a comunicação científica ser impregnada por valores, ideias e concepções preconcebidas por parte do pesquisador. Isto porque a ciência está sujeita à ideologização, quando os argumentos subjetivos, elementos indissociáveis da natureza humana, predominam sobre argumentos objetivos.

Se a comunicação científica se dá, de início, na comunidade científica, é essencial conhecer os requisitos que se espera do pesquisador, como sintetizado em estudo do Centro de Estudos e Pesquisas Psicológicas Aplicadas à Educação, debatido em classe. Porém não é suficiente. É preciso compreender o campo científico, capital científico e capital simbólico, designações adotadas por Pierre Bourdieu. São evidentes os embates presentes nas “entranhas” do referido campo, que incorpora tudo que constitui os meios de validação da ciência, como associações científicas, universidades, institutos de pesquisa e publicações. Isto é, ao contrário do que se pensa a princípio, o campo científico configura-se como “universo social” à parte, porém imbuído de conflitos e aspirações à semelhança de qualquer grupo social, com a diferença de que suas reivindicações são “relativamente independentes das pressões do mundo social global que o envolve” (BOURDIEU, 2004, p. 21). Aliás, o filme Óleo de Lorenzo mostra essa situação com propriedade. 

Indo além das discussões profícuas sobre ciência, produção do conhecimento, comunicação científica e comunidade científica, popularização da ciência, jornalismo científico, chegamos ao meio eletrônico com suas potencialidades quase infinitas no processo de comunicação científica. Além das revistas eletrônicas, mudanças comportamentais e estruturais afetam a autoria, graças a uma série de iniciativas. Entre elas, a Open Archives Initiative; a expansão do Open Access; os portais, que congregam sites de editoras e revistas, a exemplo do Portal de Periódicos da Capes; o Creative Commons; e os sistemas eletrônicos de editoração de revistas, como o SEER, distribuído pelo IBICT.

Por fim, a lição que fica da disciplina é que devemos exercitar a escrita, a fim de nos familiarizarmos, pouco a pouco, com o processo de autoria e publicação no campo científico circunscrito à Ciência da Informação. Desta forma, estamos a caminho da acumulação gradativa de capital científico...

 

REFERÊNCIA

BOURDIEU, P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP, 2004.

 

 

* Mestrando em Ciência da Informação. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).